NOTA: Apartheid econômico e cultural no carnaval de Olinda

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A importância dos elementos do carnaval são tão expressivos para a cultura olindense, que a UNESCO considerou o frevo como patrimônio cultural imaterial da humanidade.

Os municípios mais tradicionais de Pernambuco vivem o desafio de preservar e salvaguardar suas manifestações culturais, que são base da identidade e do pertencimento. É inegável que quando nos lembramos dos papangus, completamos: de Bezerros; os maracatus: de Nazaré da Mata; os bonecos gigantes: de Olinda e de Belém do São Francisco.

Em 2015 foi sancionada lei que proíbe casas camarotes no sítio histórico do município. Na tentativa de burlar a legislação municipal as promotoras das casas camarotes migraram do sítio histórico para a área de entorno, que também é de proteção legal, menos rigorosa, estando algumas locando espaço público para elitização do carnaval olindense.

A locação desses espaços vem gerando uma promiscua utilização de parque público, que deixa de servir na totalidade para finalidade “pública” para abrigar e favorecer o privado, que há alguns anos vem faturando e influenciando para a descaracterização de um dos maiores patrimônios cultural de Pernambuco: o carnaval de rua, que deu origem ao frevo.

Aberto ao contraditório, a Associação da Imprensa de Pernambuco solicitou por três vezes ao maior promotor privado, o Carvalheira na Ladeira, informações sobre medidas compensatórias ao “crime” contra a cultura, e na inexpressiva resposta três parágrafos sobre o “projeto lixo zero”, cujo objetivo é a obter a reciclagem de 90% dos resíduos produzidos por eles mesmos, ficando claro que o evento privado em nada favorece o público, além de promover no entorno do sítio histórico de Olinda a profanação e a marginalização do carnaval, cuja característica é ser igualitário.

Diante do exposto, e das crescentes denúncias contra as casa camarotes, a Associação da Imprensa de Pernambuco informa que apresentará denúncia ao Ministério Público, bem como pedido ao Poder Executivo para que a lei já existente também contemple toda a área de entorno do sítio histórico, que seja apurado os impactos ambientais deixados pelas casas camarotes.

Recife, 23 de fevereiro de 2020.

Múcio Aguiar

Presidente da AIP

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